Descrição com 2.886 caracteres (dentro do limite de 3.000):Dezesseis de julho de 2013. O astronauta italiano Luca Parmitano flutua a quatrocentos quilômetros da Terra quando sente uma gota de água na nuca. Em poucos minutos, o capacete dele está enchendo. Um litro e meio de líquido cobre os olhos, o nariz, a boca. Ele volta para a câmara de descompressão guiado pela memória, cego, quase se afogando no espaço.Treze anos depois, em abril de 2026, astronautas continuam usando o mesmo modelo de traje que quase matou Parmitano. O mesmo equipamento desenhado nos anos setenta para o programa do ônibus espacial. O mesmo traje que vazou outra vez no capacete de Tim Kopra em 2016 e de Matthias Maurer em 2022.E a NASA precisa de um substituto. Precisa para a Estação Espacial Internacional, que será desativada em 2030. Precisa, principalmente, para a missão de pouso lunar do programa Artemis, prevista para 2028.Neste episódio, mergulho no relatório IG-26-006 do Office of Inspector General da NASA, publicado no dia vinte de abril, que escancara um problema gigantesco: depois de quase duas décadas tentando, depois de bilhões de dólares investidos, depois de quatro programas de desenvolvimento, a NASA ainda não tem um traje espacial novo pronto para usar.A história envolve a desistência da Collins Aerospace em 2024, deixando a Axiom Space — uma empresa fundada há menos de dez anos, sem nenhuma experiência prévia em trajes espaciais — como fornecedora única. Envolve parcerias inusitadas com a Prada, que faz os tecidos do traje, com a Nokia, que vai operar a rede 4G na Lua, com a Oakley, que desenhou a viseira, e com a GU Energy Labs, que cuida da nutrição dentro do equipamento. Envolve um cronograma original que era menos da metade do tempo histórico para projetos semelhantes da NASA. Envolve um traje que em 2024 estava acima do peso permitido, consumindo mais oxigênio, água e energia do que poderia. Envolve um conflito de design com o módulo de pouso da Blue Origin, com o lander Starship da SpaceX, com o veículo lunar de superfície.E envolve uma pergunta desconfortável: a parte mais difícil da volta à Lua, hoje, não é construir o foguete. Os foguetes existem. A Artemis II voou em abril de 2026 com tripulação. O Space Launch System funcionou. O que falta é a roupa.Conto a história completa, do A7L feito por costureiras da Playtex que durante o dia produziam sutiãs, até as oitocentas e cinquenta horas de testes que a Axiom acumulou no protótipo do AxEMU. Da pausa do programa Gateway em março passado, à primeira caminhada espacial comercial da Polaris Dawn da SpaceX em 2024.A NASA construiu o foguete do Artemis. Mas talvez tenha esquecido da roupa. E é por causa dela que a Lua continua esperando.Fonte: Relatório IG-26-006 do NASA Office of Inspector General — NASA's Acquisition of Next-Generation Spacesuit Services — 20 de abril de 2026.
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